Era uma bela manhã de domingo, o sol brilhava forte dando contraste ao verde do gramado lá de fora. Eu podia olhar pra fora e ver como qualquer um dessa cidade deveria estar imaginando como o dia seria lindo e perfeito mas não, eu preferi fechar a janela e a cortina e imaginar o dia lá fora nublado, como eu gosto. Ou melhor, como eu gosto agora. Encostei-me na minha poltrona e meus pensamentos iam mais além do que eu permetia ir. Parece que agora que faltam 30 dias para o natal, esses últimos dias do ano se passaram tão rápido desde que Elize foi embora dessa cidade inútil. Por isso é que eu prefiro ficar aqui, fumando meus problemas e bebendo minhas lagrimas de café, porque sem a Elize por aqui esses últimos tempos, eu me sinto nada. Eu não deixei de viver a minha vida por causa disso mas prefiro ocultar os barulhos lá de fora, viver só no meu silêncio. Bom, acho que provavelmente vou ver a Lize, como eu costumo chama-la, depois do natal, quando eu ver toda a minha família, depois de longos meses estúpidos. Ao contrário de que no meu caso muitas pessoas prefeririam esquecer quem foi embora, eu prefiro lembrar, é tão bom lembrar dela, de cada momento, da primeira vez que a vi... E por mais que eu não possa vê-la, ouvi-la, eu ainda lembro da sua voz cantando pra mim, cantando e sorrindo com sua voz doce, que me acalmava e seu sorriso que me confortava. E eu sinto sua presença do meu lado, sua proteção, sinto que ainda me ama. Posso sentir de um jeito inacreditável, mas sinto. Eu prometi que ia amá-la pra sempre assim como ela prometeu também. E o que todos ao redor de mim pensam sobre a minha vida, eu não me importo mais. Porque ninguém sabe dos meus pensamentos muito menos sentimentos, só eu. Antes que eu comece a chorar mais uma vez, vou acender outro cigarro e ouvir a nossa música. De repente percebi leves barulhinhos lá fora, abro minha janela e percebo o tempo mudando, mudando para o jeito como gosto que ele fica. Nublado e com gotas de chuva para lavar toda a minha alma. Agora me lembro como se fosse hoje, era 22 de agosto, uma bela manhã de domingo, o dia perfeito, o brilho forte do sol, dava contraste ao gramado lá fora. Eu imaginava como o dia seria maravilhoso, quem sabe eu poderia ir pra algum lugar diferente com a Lize. Então liguei pra ela e ela tinha ido com as primas para uma praia ao norte da cidade, então pensei o porquê dela não me ligar para avisar? Ela sabe que eu amo passar o domingo com ela, agente nunca deixa de passar um domingo juntas. Então voltei pra cama, diminui a clareza da luz, pedi pra minha mãe fazer um chá, ela estranhou mas fez, então eu comecei a ler um livro que a lize tinha me dito pra ler e beber vários goles daquela xícara de chá bem quente, mas... por mais que eu tentasse ler, eu não tinha concentração o suficiente para o fazer, meu pensamento estava nela, mas pouco a pouco, eu fui adormecendo novamente e quando acordei, já era 4:32PM. Acordei com meu celular tocando, uma voz desesperada dizia com dificuldade que Lize havia sofrido um acidente e estava em estado grave no hospital. Imediatamente, eu peguei o meu carro e fui imediatamente pro hospital onde ela estava internada. Pelo corredor eu corria desesperada até encontrar o quarto 623. Entrei e vi a pessoa que eu mais amava num estado que eu jamais imaginaria ver. Elize estava gravemente ferida e tudo que eu pude ouvir no meio de todo meu desespero foi a mãe dela dizendo que ela pediu pra me ver. Me aproximei dela que quando percebeu uma lágrima escorrendo devagar sobre a minha face, segurou minha mão e disse com todo esforço ‘’Me desculpe por não ter ligado este domingo pra gente sair, mas eu já planejei nosso próximo fim de semana, eu te amo’’ E então, eu vi surgindo em seu rosto, aquele belo sorriso, o mais perfeito, como aquele que todo final de domingo ela dava pra mim. Eu apenas sorri, e quando me dei conta, eu estava na sala de espera, e na minha frente, eu pude ver nitidamente a mãe dela que me abraçou e me agradeceu.
Eu fui pra casa, sentindo uma dor no coração enorme, como eu nunca senti. Olhei pela janela e estava repentinamente o céu nublado. Olhei pro lado fechando as cortinas e vi a foto mais linda da Lize que ficava na cantoneira da minha cama. Senti uma lagrima e ao mesmo tempo um sorriso em meu rosto e então tive a certeza de que eu iria ama-la pra sempre, independentemente do que iria acontecer.
Enfim, o mais estranho agora é que essa nostalgia vem todo domingo, no mesmo momento, do mesmo jeito. Mas por mais estranho que seja, por todas as lagrimas ou pensamentos, eu me sinto feliz e essa felicidade toda vem porque eu sei que a Lize está do meu lado, não só em nossos domingos, mas a todo momento. Se durante a minha vida inteira alguém perguntar a mim quem é o amor da minha vida, eu responderei, é a Lize, eternamente.

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